quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Carnaval de trois (automático I)

Carnaval de Sade

Desfilam no Carnaval
Alegorias de Sade.

Duas vilãs nuas sobre o mastro.
Musas aquáticas atravessam
A carne do macho
Como lanças tênues a murmurar.

Confesso ao outro homem,
Que ficou de fora,
Um bom dedo de ciúmes molhado
Num copo de uísque.

Alinhadas,
As amigas de coxas voluptuosas
Suplicam viril aposta.

A língua adormecida dos excessos
Acendem em velas que duram
E marcam o chão
Com cores de outrora.

Uma ducha quente nas costas insensatas
Da moça mais branca,
Que mergulha todas as manhãs,
Enquanto ele adormece em jardins
Abarrotados de cisnes.

Trois: a síntese semiótica sexual.
Um triângulo nunca equilátero,
Sem democracia possível.

Ela comanda as mentiras,
A programação improvisada,
Um oceano todo
Que ele derrama
Na minha garganta.

Jarros d´água indivisíveis
Para exaurir a sede do nobre jovem
Que contempla suas duas rainhas
E desconhece a altitude da Lua.

Nosso ange bleu a decifrar
Baudelaire na cama.
Para quê amanhecer?

Na janela,
pássaros desafiam a paciência dela,
que berra pedindo que cantem jazz.

Uma marchinha de Carnaval,
Finalmente!
Um violão qualquer
Brada para que todos
Abram as asas.

Recolhemos latas vazias
E cinzeiros exagerados.
Fumaça amanhecida.

O trio vestido de suor
E amarelo
Agora desvencilhados.

Vozes e cabelos
Fora do lugar.
Lábios agigantados
De um vermelho quase esmalte.

3 comentários:

Loving the Alien disse...

"Na janela, pássaros desafiam a paciência dela, que berra, pedindo que cantem jazz."

"não é escrita automática, é jazz do coração" (ana cristina césar)

Anônimo disse...

Excelente. Taradamente excelente. Se sobrar alguma coisa de você, vai ser una delícia acompanhar o lançamento.

Anônimo disse...

AVASSALADORA foi a primeira coisa que explodiu na minha cabeça quando li seu blog.
Não estava esperando, você tinha me enviado aqueles contos bem comportados. É como se estivéssemos lendo gibi do Pato Donald e de repente o Batman aparece no meio da história de mãos dadas com o Coringa.
Deve ser muito bom mesmo escrever com todos os dedos, isto é, sem aquela de ficar "cheia de dedos" e não usar nenhum. É bom lembrar das Alices, Patrícias, Leilas Diniz, Marias Betânias, etc que nos habitam. Talvez seu lado B esconda C, D, E, F, ...